Felinos e o Amor

Perdoem-me as pessoas que já se acostumaram a ler o que eu escrevo, pois, pretendo neste texto, fazer uma viagem ao imaginário, ao inconsciente.

O homem desde muito tempo acostumou-se a ter animais de companhia, primeiro para realizar tarefas, como afugentar inimigos ou matar ratos, como foi o caso do felino.

Não se sabe ao certo, em que momento o animal deixou de ser um animal de trabalho, para tornar-se um companheiro.

Do companheirismo inicial ao status que muitos animais gozam hoje, acho até que demorou muito.

Muitos felinos, mas não todos, para minha tristeza, desfrutam de vidas principescas: as melhores almofadas, os melhores alimentos, o carinho inconteste e absoluto de seus “donos”. O que eu disse mesmo? Donos!?

Será que somos donos mesmo? Aliás, quem é dono de quem?

Nós, na nossa triste arrogância de humanos, achamos que nós domesticamos os animais. Será que foi isto mesmo?

Quando você vê um gatinho lindo, fofo, e decide que este bonitinho vai para a sua casa, dormir na sua cama, assistir a sua televisão, enfim, será que foi você mesmo que escolheu? Ou será que te foi concedida a graça de ser escolhido por ele?

Num ato de absoluta generosidade ele consentiu em ir viver na sua casa e deitar nas suas almofadas e assistir à sua televisão.

Então neste caso, posso imaginar que os meus gatos me amam muito mais até do que eu os amo! Já pensaram sobre este ponto de vista?

Já tenho uma certa idade, não sou mais nenhuma menininha, e lembro-me como se fosse hoje, dos desenhos animados sobre gatos, onde aparecia no final, um casal de gatinhos, em cima de um muro, namorando a lua, com os rabinhos entrelaçados.

Talvez esta seja a imagem mais forte que tenho de um felino no meu inconsciente.

Sempre que olho meus bonitinhos eles de alguma forma me irradiam seu amor.

Seja enroscando nas minhas pernas, seja um mudo olhar, ou mesmo morder um papel que estou  segurando. Tentar teclar no computador junto comigo.

Aliás, difícil tarefa a de digitar  com gatos por perto.

Bom, meus amigos, esta foi uma divagação, uma viagem no fundo do olhar dos meus gatos, local onde  me perco de mim e de meus problemas, e me encontro com o amor mais puro e genuíno que possa existir neste mundo onde não tem mais espaço para a pureza.

Destes encontros, normalmente saio revigorada para enfrentar mais um dia, mais uma semana, cheia de problemas e aborrecimentos, mas com força para tocar em  frente, reabastecida que fui pelo amor dos meus pequenos.

Acho que meus gatos fizeram um bom trabalho comigo... rsrs

Carinho

 

Kátia Ignácio

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