A Nicolle foi devolvida ao gatil de origem, por ser positiva para esta doença e o dono do Gatil a ofereceu em doação à minha mãe, que não tinha gatos, mas já havia se apaixonado por estas preciosidades da natureza, até por ver os meus gatos aqui em casa.
No entanto, a casa de minha mãe estava em reforma e combinamos então que eu ficaria com a Nicolle, até o final da obra, quando ela iria, então viver com minha mãe.
Porém, leitor, os caminhos da vida são sempre estranhos e ocorre que minha mãe nunca ficou com ela.
Antes do final da obra, o Mal de Alhzheimer furtou minha mãe de mim!
Quando me deparei com a enormidade da tragédia que se abatia sobre minha mãe, profunda tristeza me envolveu por alguns meses, no entanto, a vida precisava seguir seu rumo, então eu e meu marido decidimos que a Nicolle não iria jamais morar com minha mãe, que já não tinha condições de se cuidar, que dirá cuidar de uma gatinha especial como é uma portadora de P.K.D.
Ela ficou conosco, dormindo em nossa cama, participando de todas as atividades da casa. Gostava muito de passear e tinha um jeitinho tão cativante que era impossível não se perder dentro daqueles olhos azuis impressionantes.
Notávamos, no entanto, que ela não engordava e isso nos preocupava bastante.
Ela viveu conosco aproximadamente mais uns dois anos até que o P.K.D. a levou de nós numa madrugada fria e triste de domingo para segunda-feira.
De quando ela começou a apresentar insuficiência renal, até seu fim, foi tudo muito rápido, coisa de uns dois meses aproximadamente.
Da dificuldade do ganho de peso, passou a perder peso e ficou muito magrinha. Houve também um aumento muito grande de ingestão de água e uma certa apatia.
O veterinário após a realização de alguns exames foi categórico: Falência renal!
Não havia o que fazer a não ser esperar e lhe dar todo o carinho e atenção que pudéssemos.
Não tivemos coragem de abreviar seu fim. Não sei se agimos certo ou não. Mas não tivemos esta coragem!
No último dia de sua vida, já absurdamente magrinha e frágil, ainda subiu na nossa cama, pediu carinho, como sempre fazia e ficou ali deitadinha, tão frágil e tão linda ao mesmo tempo.
A segunda-feira sem ela andando pela sala, passando no meio das nossas pernas, foi realmente complicado e doído, mas também nesse caso, a vida seguiu em frente.
Sempre me perguntei se deveríamos ter abreviado seus dias e se houve sofrimento, embora meu veterinário garantiu que não. Mas essa foi uma pergunta que ficou sem resposta para mim.
Perguntava-me, se ela não teria ficado triste comigo!
Se ela teria aceitado sua partida, enfim, questões e mais questões que se acumulavam!
Alguns de vocês dirão com certeza, que se trata de projeção do inconsciente, mas ocorre que passados alguns meses de sua partida, foi que aconteceu o que vou contar agora:
Estava dormindo e sonhei que havia levantado. Era um dia bonito e ensolarado.
Ainda meio sonolenta, fui fazer um café e vi através da tela da porta, um vulto de um animalzinho.
Olhei melhor e lá estava ela: Nicolle, a minha magnífica!
Assustei!!!
Como ela poderia estar do lado de fora? Não há como sair! Sem me dar conta, que ela já não estava mais entre nós.
Abri a porta, a peguei no colo, entrei novamente e fechei a porta!.
Dei-lhe uma bela bronca, sem conseguir entender como ela teria saído e depois fiz muito carinho, que ela retribuiu como nos velhos tempos.
Feito isso, a coloquei no chão e lembro ainda que me servi de um café que estava quentinho e agradável, e ela trançando minhas pernas, como só quem tem gato sabe o que é.
Passado algum tempo, olhei para a sala, e lá estava ela, deitadinha no sofá, no lugar onde sempre gostava de ficar, dormindo sossegadamente e linda, magnífica como sempre foi.
Acordei!!!
Dei-me conta que foi um sonho, mas foi um sonho TÃO real!
Deixo aos meus leitores a tarefa de chegar à conclusão que quiserem, porque a minha conclusão eu tenho: Ela veio me visitar e me acalmar pelas intensas interrogações que tinha a seu respeito!
Ela veio para me dizer que me amava e que nada havia mudado!
Eu venho aqui dizer que SEMPRE A AMAREI e ela SEMPRE viverá no meu coração e eu acredito que chegará o dia em que nos reencontraremos!
Abraços fraternos!
Kátia Ignácio
Olá meu amigo leitor!
Olha, fique à vontade, sente-se!
Bom vê-lo novamente!
Sabe, hoje gostaria de te contar a história da Nicolle.
Ela era realmente magnífica! Uma lindíssima gata himalaio ponta lilás!
Se houvesse perfeição na terra, esta perfeição poderia ser personificada pela Nicolle, nome que lhe dei, ou melhor, apelido que lhe dei, quando chegou aqui em casa, adotada que foi com aproximadamente uns dois anos de idade, já castrada.
Você deve estar se perguntando, porque castrada? E eu te respondo, leitor: P.K.D. Polycystic Kidney Disease, ou Síndrome do Rim Policístico.
Não existe perfeição, por mais que a busquemos!!

