Queridos leitores, como na primeira parte desta série falei sobre a crendice de que os gatos gostam mais da casa do que dos donos, volta aqui agora, para quebrar outro paradigma.
Sou voluntária num asilo próximo de onde moro, e visito minhas amiguinhas lá com a freqüência que me é possível, dada a correria do dia a dia, as atividades na Faculdade e o trabalho incessante no gatil.
Lá não é permitido nenhum tipo de animal, visando à higiene do local.
Entendo a postura adotada pela Direção da casa, mas como uma profunda estudiosa dos animais, não posso me conformar em ver de quantas coisas boas as minhas amiguinhas são privadas, por não poderem ter contato nenhum com animais.
Já existe até um termo apropriado para MAIS este benefício que os animais nos trazem: A Pet Terapia.
Inúmeras vantagens e benefícios são conseguidos através do contato com animais, sendo que estudos mostram, por exemplo, a diminuição do nível de stress nos residentes, maior interação entre eles, diminuição da pressão sanguínea e do colesterol, além de importante prevenção de problemas cardiovasculares.
Estou até aqui enumerando as vantagens físicas, mas não menos importantes são também as vantagens de ordem emocional, sendo certo que os animais promovem uma melhoria geral no estado do humor, melhora a auto estima, relaxa as tensões físicas e propicia ainda que o idoso saia de um possível isolamento, favorecendo o processo de aprendizagem de cuidar, ao invés de ser apenas cuidado, de dividir, de respeito aos limites, de respeito à vida, entre outros importantes ganhos.
Quando visito minhas amiguinhas do asilo, levo sempre fotos dos meus bonitinhos, até para não quebrar regras, mas a felicidade delas vendo as fotos fala por si só.
Já falei, mas me permitam a liberdade de voltar neste assunto, do meu muito querido sogro Domingos Martins, hoje já falecido.
Ele conviveu melhor com os vários problemas de saúde que tinha quando passou a conviver não só com a Bianca, nossa Yorkshire, mas também com a Chrystall e o Ellyott, que foram os primeiros gatinhos que começaram, lá atrás a concretizar meu sonho de ter algo voltado para os animais.
Era tocante ver como a Chrystall queria beijos dele. Como todos iam tirar uma gostosa soneca à tarde. Como o contato físico do Ellyott e da Chrystall eram prazeirosos para ele.
Além disso, qualquer saída, por menor que fosse, era motivo para levar algum bonitinho junto, para desfilar, mostrar, fazer amigos, enfim, interagir.
Quando os gatos ficavam em outro andar da casa, assim que saíamos, ele ia até onde estavam os animais e ficava lá, sentadinho no chão, brincando com eles.
Era uma farra muito boa, tanto para os animais que o adoravam, mas principalmente para ele mesmo.
É claro que tudo na vida requer bom senso, e aí, principalmente o gato persa se encaixa perfeitamente na vida de um idoso, senão vejamos: não é pesado, não precisa sair para passear, não é ruidoso e além disso é impecável quanto à limpeza.
Todas estas qualidades juntas, fazem do gato persa realmente uma excelente opção para a melhor idade.
Não vai aqui nenhuma crítica ao Asilo que visito, não tenho como argumentar sobre isso, mas se pretendemos dar à nossa melhor idade motivos pelos quais ter apego à vida, um desses motivos poderia ser com certeza um gatinho bem fofo e peludo.
Na próxima etapa falarei um pouco sobre os felinos e a educação, também um tema bastante empolgante.
Carinho a todos, inclusive e especialmente para as minhas amiguinhas do Asilo.
Kátia Ignácio
