Como havia dito no último artigo, pretendo neste, falar sobre os gatos persas e a educação.

Sempre partindo do princípio que os animais tem muito a nos ensinar, nós é que, às vezes, não temos a humildade necessária e também o discernimento para extrair estes conhecimentos.

Ainda citando meu último artigo, quando falei que o contato com os gatos tira os idosos de seu isolamento e faz com que aprendam a cuidar ao invés de serem apenas cuidados.

É neste sentido de educação que falo: a educação do homem para um ser humano melhor.

Do homem como algo que pode e deve ser melhorado através da suprema elegância, da fidalguia, da inteligência e da sensibilidade que um gato persa tem.

Quero falar também um pouco sobre a minha experiência com felinos e crianças com Síndrome de Down ou com Paralisia Cerebral.

Tive a felicidade de poder mostrar para algumas destas crianças o que é o contato com um gato persa.

Sempre que posso, procuro introduzi-las neste mundo mágico, principalmente para as crianças especiais.

Faço questão de passar a idéia do cuidado, do respeito, do amor e da amizade legítima, pura.

Percebo claramente que eles adoram o contato com os animais. A delicadeza do toque.

Elas respondem de uma forma extraordinariamente bela.

Estive em contato, há algum tempo atrás, com uma linda menina portadora de séria paralisia cerebral, que a impedia inclusive de se comunicar. Suas pequenas mãos, travadas pela atrofia foram delicadamente abertas e ela pode então, por alguns instantes acariciar um filhotinho de minha criação.

Seu olhar até aquele momento apático e triste ganhou luz e direção, apesar das dificuldades de se mover, que inclusive prejudicava o pescoço.

A impossibilidade de falar não a impediu de manifestar a alegria que estava sentindo por estar com aquele pequeno montinho de pelos no colo, que para minha felicidade ronronava tranqüilamente.

Outra criança, portadora de Síndrome de Down também teve contato com meus animais. Até então nunca tinha tido a oportunidade de pegar um peludinho nos braços.

Antes, expliquei detalhadamente como ele deveria proceder e ele entendeu perfeitamente. Pegou o gatinho com tal delicadeza que emocionou quem estivesse por perto.

Aquelas crianças saíram felizes... mas eu com certeza estava mais feliz que elas.

A APAE de uma cidade do interior paulista está fazendo um lindo trabalho neste sentido, com sucesso inegável.

Artigo falando sobre esta experiência pode ser lido na Revista Pulo do Gato, edição n. 29.

Estas crianças da APAE registraram inegavelmente a presença dos animais, por maiores que fossem suas limitações e conseguiram também expressar sua alegria e prazer.

Eles saíram mais ricos destas experiências.

Mas eu principalmente enriqueci com estes contatos e experiências. Os olhares, os sorrisos, as poucas ou muitas palavras, não importa a quantidade: tudo manifestava a alegria destas crianças.

Uma especialmente me marcou muito: Pedrinho, aceite um beijo no coração.

Abraços a todos

Kátia Ignácio

GATO PERSA - Mistérios e Paixão - Parte 3

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