Antes de mais nada, quero desejar a você que aqui chegou para um minuto de leitura, que você tenha um lindo dia!!!
Gostaria de começar minha explanação sobre o que vejo e penso da nossa criação de gatos de raça, com algumas considerações que compõem este quadro.
Assim como toda criação, está sujeita a bons, médios e maus criadores. Em qualquer lugar onde circule dinheiro, sempre haverá os interesseiros e os oportunistas de plantão sequiosos de ganhar alguma coisa “fácil” e infelizmente a criação de gatos de raça não foge a isso.
Tendo em vista também e falando especificamente sobre a raça persa, a grande margem de cores e marcações que abrangem as cinco variedades hoje existentes de gatos persas que são:
Os persas propriamente ditos, ou seja os gatos que tem cor pelo corpo todo e via de regra tem olhos cobres.
Depois nós temos os himalaios, que são os lindos gatinhos ponteados e que tem na sua carga genética uma “pitada” de siameses que foi colocada há mais de cem anos. Os himalaios são gatinhos um “tantinho” mais ativos que os persas, tendo em vista que tem essa “pitadinha” de siameses. Essa mesma “pitadinha” é que vem dificultando o trabalho dos criadores em conseguir gatos himalaios com ossatura pesada, e o Brasil ainda trabalha no sentido de melhorar a intensidade do azul nos olhos deles.
Tenho que falar ainda sobre os exóticos, que tanto podem ser ponteados como os himalaios ou sólidos, como os persas, e sua principal característica é o pelo curto. Se o exótico for himalaio, obrigatoriamente terá olhinhos azuis e se for persa, terá olhinhos cobres.
Existe ainda a variedade Silver, que são os “prateados” e que obrigatoriamente terão olhinhos verdades.
Finalizamos com os Goldens, que são os “dourados” e que obrigatoriamente terão também olhinhos verdes.
Só para dar uma dimensão melhor do “universo persa” é preciso ressaltar que em cada uma dessas variedades existem mais de 240 possibilidades de cores e marcações diferentes e principalmente, que algumas são totalmente incompatíveis entre si, gerando filhotes com sérios problemas, como a surdez congênita e irremediável.
Cada um tem seu encanto e suas características, mas o persa como um todo e seja em que variedade for, que foi bem criado e dentro dos padrões da raça, será um animal de excelente temperamento e que irá conviver com uma família de uma forma muito amigável e tranqüila.
Quando falo em “bem criado” falo de um rol de preocupações e cuidados que seriam os esperados para um criador, como por exemplo:
- Isenção para PKD. Hoje em dia é absurdamente impensável que ainda existam criadores sem nenhum vínculo com a raça e que continuam procriando animais PKD+ sem o menor constrangimento. A alegação de que irão tentar salvar a linha de sangue até seria aceitável a alguns anos atrás, mas hoje já não se deveria mais falar isso.
- Ambiente da mais absoluta limpeza e higiene, onde os animais seriam preservados de picos de temperatura, tenham comida de qualidade e água fresca à vontade. Claro que isso requer uma dedicação em tempo integral.
- Assistência médica veterinária. Este é um ponto chave numa criação de sucesso, mas também preciso concordar com os criadores, que é difícil mesmo conseguir um veterinário que não pense o gato como um cão pequeno. Reitero porém, que uma criação precisa desta assistência e que é perfeitamente possível uma relação de respeito e parceria entre um criador e seu veterinário. Haja vista o nosso caso, onde o Dr. Tiago Dorna, nos acompanha a vários anos.
Também preciso dizer que antes dele, tentei com vários veterinários, mas até então sem sucesso. O que não se deve é deixar uma criação sem este importante profissional.
- Agora, certamente me chamarão de chata, de exigente demais, mas o ESTUDO é certamente um dos melhores amigos do criador que realmente queira ter um diferencial na sua criação e que infelizmente ainda falta bastante no Brasil. Vejo muitas vezes, criadores ou pseudo-criadores que começam apenas comprando alguns animais, sem o menor estudo ou critério prévio. Pior ainda é quando este critério, se existe é exclusivamente vinculado ao que estiver “mais em conta”, o que for mais baratinho.
Porque o estudo foi tão veementemente mencionado? Porque é justamente pela falta de estudo que se percebe um trabalho que poderia ser mais bem feito. Na ânsia de começar logo e sem estudo prévio, é que se vê cruzas que são totalmente desaconselháveis e que podem gerar filhotes com sérios problemas de saúde, como já disse acima.
Então, preciso encerrar dizendo que ainda vejo com bastante preocupação a criação nacional de gatos de raça por notar que ainda temos muito “fundo de quintal” o que em nada favorece a raça. Que ainda se vê infelizmente gatos PKD+ à venda. Que ainda há uma cisão muito grande entre o criador e o veterinário e que estudar não é uma “praia” que atraia muitos seguidores, favorecendo desta forma o amadorismo que já foi tão ruim para tantas outras raças que já estão bastante degradadas.
Enfim, não tenho absolutamente nada contra um criador novo e inexperiente começar uma criação, até porque isso seria uma grande soberba da minha parte e jamais tive, tenho ou terei a pretensão de saber tudo, muito pelo contrário, estudo diariamente sobre eles e leio tudo, mas absolutamente tudo que caia nas minhas mãos sobre gatos, mas sempre observo que se for para fazer algo, que se faça o mais bem feito possível e que se trabalhe sempre pensando na preservação da raça e nunca, jamais na sua degradação.
Sei que estou assumindo uma postura bastante crítica, mas não poderia me furtar a expor o que penso, até para que eventualmente isso possa servir de incentivo para um criador sério começar um trabalho focado na preservação e no aprimoramento e também para que você que busca um gatinho persa, que procure ter um outro olhar, mais profundo e mais comprometido com a raça também.
Se todos tivermos essa preocupação e esse olhar mais comprometido com a raça, certamente não irá acontecer com eles o que já vimos tantas e tantas vezes!
Abraços fraternos!!
Kátia Ignácio
