Antes de mais nada, quero desejar um lindo dia aos meus leitores e receber com muito carinho você que chegou aqui pela primeira vez.
Pensei muito antes de escrever este artigo, mas senti que já estava na hora, depois do prêmio que recebemos e que acabou, de certa forma, nos obrigando a falar desse assunto tão delicado e “sensível” para alguns.
Então, vamos lá, hoje vou falar sobre o porquê não se deve acasalar gatos persas se não for um estudioso do assunto.
Diversos são os fatores que desaconselham esta prática e vou procurar dar uma pincelada em cada um deles:
P.K.D. – Polycystyc Kidney Disease ou Síndrome do Rim Policístico.
Lamentavelmente a criação brasileira ainda está eivada desta doença e um criador que pretenda que seu trabalho seja sério tem, obrigatoriamente, que testar seus animais.
Até alguns anos atrás, o teste era mais comumente feito por ultra-som, mas com a utilização desta técnica, infelizmente muitos gatinhos que foram considerados isentos para a doença na data do exame, anos depois, mostraram-se positivos.
Explico esta falha tendo em vista que os transdutores com uma capacidade menor do que 7 MHz, poderiam eventualmente não conseguir captar cistos se estes fossem muito pequenos. Com o passar do tempo, a degeneração do rim seria algo mais fácil de se observar.
Então hoje a prática muito mais adotada e segura é o exame por D.N.A., que, mediante esfregaço bucal, é muito mais confiável e sua margem de segurança é altíssima.
Os animais portadores do problema NÃO devem acasalar e até por uma questão ética, deverão ser castrados.
Algumas tendências admitem cruzas de gatos P.K.D. positivo como forma de tentar salvar uma linha de sangue que seja muito importante para um gatil.
No entanto, estas mesmas tendências apregoam também que todos os filhotes deverão ser testados e os positivos castrados e doados. Desta forma, o Gatil ficaria com animais saudáveis oriundos de um animal positivo.
Como o P.K.D. é um problema ocorrido num determinado par de genes que causa sua manifestação, é importante ainda ressaltar que se este gatinho for homozigoto, ou seja, os dois genes idênticos no par genético onde esta doença se manifesta, é impossível ter filhotes sadios advindos deste animal positivo.
Somente animais heterozigotos são capazes de gerar animais sadios, sempre na proporção de 50% (cinqüenta por cento). E os outros cinqüenta??
Infelizmente o que temos conhecimento, é que os gatis que ainda acasalam animais portadores continuam vendendo filhotes sãos e filhotes portadores da doença da mesma forma e pelo mesmo valor. Atitude lamentável que condenamos e não praticamos.
Note-se que, mesmo que fosse feita a doação dos filhotes positivos para esta doença, ainda assim nós pensamos que, na realidade, acaba mesmo é sendo um desserviço à pessoa que está recebendo este animal, porque via de regra um animal destes terá comprometimentos na sua saúde.
Nós, do Gatil KSI Cats, somos frontalmente contra esta prática e entendemos que os gatos portadores devam ser castrados de forma a não propagar um mal que é facilmente erradicável.
Não desejamos para ninguém a dor que sentimos quando soubemos que o nosso muito amado Ellyott ou Tatão para os íntimos, era positivo para esta doença. Ele foi castrado ainda em tenra idade, está conosco até hoje, mas nunca reproduziu.
Existem outras fortes contra-indicações às cruzas indiscriminadas, mas até para não ser superficial, preferi dividir este artigo em mais uma ou duas partes, onde falarei sobre as infecto-contagiosas como AIDS Felina e etc.
Deixo aqui um forte abraço a todos e nos vemos em breve!
Kátia Ignácio
