Não tem por onde escapar... a vida não passa de uma grande conta corrente... onde a gente vai colecionando entradas e saídas, lucros e perdas, independente da nossa vontade.

Maria Rita (filha da saudosa Elis Regina) canta naquela música: “O mesmo trem que chega é o trem da partida.”
     
Na realidade, muitas vezes, a gente não quer que o trem parta, porque temos um egoísmo intrínseco, mas o trem vai partir, levando nossos entes queridos, não importa de quantas patas. Um dia nos levará também.

Neste dia, será que teremos a oportunidade de encontrar novamente nossos entes queridos, que, como já disse, não importa o número de patas?

Falo desta forma, já esperando alguma represália: não se pode comparar a dor da perda de um pai, por exemplo, com a dor da perda de um animal, me dirão, com certeza, uns e outros.

Também não tenho a menor intenção de criar uma polêmica, e sim, falar daquele sentimento, que acho que todos nós temos dentro de nossos corações: a saudade de um bonitinho, como gosto de chamar, meus queridos animais e companheiros desta vida. Todos são bonitinhos ou bonitinhas, preciosos, porpetas, porpetões ou porpetinhas e assim vai.

Gostava tanto de ver o Adamastor e o Godofredo, meus dois hamsters,  comendo sementinhas de girassol, com mãos tão humanas!  Para quem não sabe, o hamster segura a comidinha com a mão. Muitos chegam a sentar para comer, como os meus faziam sempre.

Ambos já se foram, assim como muitos outros, afinal tenho animais, ou eles me tem,  a muitos anos. A Lady é outra bonitinha que gostaria imensamente de reencontrar, aprendi a andar segurando nela, que tinha toda a paciência do mundo.

A Laika, que procurei por tantos anos, mesmo quando já não seria mais possível que ela estivesse viva, porque não me contaram que ela tinha sido atropelada, quando fiquei fora de casa por alguns dias, em férias escolares, disseram-me que ela tinha fugido.

Quem de nós, não tem, lá no fundinho, esta dor que é uma companheira, que está sempre lá?

Que, às vezes até fica quietinha, mas é só lembrar, e ela está lá. Ás vezes gritando louca e insanamente sua dor, às vezes é só uma lágrima que rola, e quando passa muito tempo, pode ser só um triste olhar.

Mas o esquecimento nunca! Não há espaço para o esquecimento!

Meu querido marido Luiz Carlos, fala com tanta saudade do Chiquinho, que o deixou quando ele ficou internado, ainda criança, com pneumonia. O Chiquinho morreu de tristeza durante esta internação.

Não quero aqui fazer nenhuma pregação religiosa, até porque não tenho este pendor religioso, mas EU acredito que irei reencontrar meus bonitinhos, todos eles, num outro plano.

Que nome tem este plano? Não importa! Pode ser o paraíso, o éden. Pode ser Olam Abá, como carinhosamente me ensinou uma querida amiga em hebraico. Realmente não importa.

Agora, se for assim, e nós todos nos reencontrarmos em outros planos, porque estamos nos matando desta forma?  Guerra e destruição por todos os lados! Para que? Para que o trem se vá mais depressa?!

Sinceramente não vejo sentido nisto, só aumenta a nossa listinha de perdas, que por si só vai crescendo, independente da nossa vontade.

Não seria melhor que conseguíssemos ou, ao menos, tentássemos viver em paz com nossos irmãos?

Saudades

Kátia Ignácio

Saudades...

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